domingo, 3 de abril de 2016

A ARTE DOS ÍNDIOS BRASILEIROS

Na época do descobrimento, havia em nosso país cerca de 5 milhões de índios. Hoje, esse número caiu para aproximadamente 200 mil. Mas essa brutal redução numérica não é o único fator a causar espanto nos pesquisadores de povos indígenas brasileiros. Assusta-os também a verificação da constante – e agora já acelerada – destruição das culturas que criaram, através dos séculos, objetos de enorme dinâmica e beleza.
A primeira questão que se coloca em relação à arte indígena é defini-la ou caracterizá-la entre as muitas atividades realizadas pelos índios. Quando dizemos que um objeto indígena tem qualidades artísticas, podemos estar lidando com conceitos que são próprios da nossa civilização, mas estranhos ao índio. Para ele, o objeto precisa ser mais perfeito na sua execução do que sua utilidade exigiria. Nessa perfeição para além da finalidade é que se encontra a noção indígena de beleza. Outro aspecto importante a ressaltar: a arte indígena é mais representativa das tradições da comunidade em que está inserida do que da personalidade do indivíduo que a faz. É por isso que os estilos da pintura corporal, do trançado e da cerimônia variam significativamente de uma tribo para outra.

O PERÍODO PRÉ-CABRALINO: A FASE MARAJOARA

A Ilha de Marajó foi habitada por vários povos desde, provavelmente, 1100 a.C. De acordo com os progressos obtidos, esses povos foram divididos em cinco fases arqueológicas. A fase Marajoara é a quarta na sequência da ocupação da ilha, mas é sem dúvida a que apresenta as criações mais interessantes. Os povos considerados da fase Marajoara, vindos do Noroeste da América do Sul, chegaram à ilha provavelmente por volta do ano 400 da nossa era. Ocuparam a parte centro-oeste da ilha. Nessa região, construíram habitações, cemitérios e locais para as cerimônias. A produção mais característica desses povos foi a cerâmica, cuja modelagem era tipicamente antropomorfa. Ela pode ser dividida entre vasos de uso doméstico e vasos cerimoniais e funerários. Os primeiros são mais simples e geralmente não apresentam a superfície decorada. Já os vasos cerimoniais possuem uma decoração elaborada, resultante da pintura bicromática ou policromática de desenhos feitos com incisões na cerâmica e de desenhos em relevo. Dentre outros objetos da cerâmica marajoara, tais como bancos, colheres apitos e adornos para orelhas e lábios, as estatuetas de pessoas despertam grande interesse.

Texto adaptado do livro "História da Arte", de Graça Proença.

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